Hábitos de vida sudável no pré-escolar e 1º ciclo do ensino básico: a perceção de familiares e de educadores de um grupo de crianças

Cátia Sofia Cardoso, Isabel Cabrita Condessa, Zélia Caçador Anastácio

Resumen


Com este estudo foi nosso propósito pesquisar de que modo é que os familiares/ pais de um grupo de crianças de escolas de Jardim de Infância e de 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB) e, respetivos educadores de infância/ professores do 1.º CEB, percecionam o papel que essa instituição tem na promoção de hábitos de vida saudável dos seus educandos, no que respeita ao seu contributo para uma melhor educação alimentar e para comportamentos de prática de atividade física, tendo em conta as suas rotinas de vida diária – descanso, mobilidade e prática física fora da escola.
Na metodologia adotada, de natureza quantitativa e qualitativa, construímos e aplicámos um questionário a familiares/pais (n=63) e uma entrevista semiestruturada aos educadores de infância e professores do 1.º CEB (n=6) de um grupo de crianças, sendo 50.8 % (n=32) do pré-escolar e 49.2% (n=31) do 1.º CEB. A análise dos dados do questionário, apresentado em frequências e percentagens, foi efetuada com o apoio do programa SPSS (versão 22.0). A partir da análise de conteúdo das respostas dos profissionais, algumas das perceções são relevadas com excertos dos seus testemunhos.
Os resultados deste estudo, primeiro em função da resposta dos pais, permitem-nos concluir que, do grupo de crianças em observação, a maioria apresenta comportamentos de descanso regular durante a semana (81% descansa 8-10 horas), deslocando-se para a escola, em número semelhante, a pé (49.2%) ou de carro (44.4%); 41.3% pratica atividade física regular fora da escola; 73% almoça regularmente na escola. Apesar de a maioria dos pais considerarem que a escola deve ter um papel muito importante na promoção de hábitos de vida saudável dos seus educandos, julga que esta nem sempre promove uma alimentação saudável. Por outro lado, os docentes testemunham o contrário, considerando que as escolas não só proporcionam uma alimentação saudável a todas as crianças, como também atividades (extra)curriculares que criam momentos de prática física regular moderada ou intensa. A acrescentar a esta opinião, os educadores/ professores referem que, para além da intervenção que fazem na sua sala de aula, é no momento do recreio que esses hábitos podem ser melhorados, pela implementação junto das crianças mais pequenas de atividades físicas mais enérgicas.


Palabras clave


crianças; hábitos de vida saudável; perceções de familiares/pais; perceções de educadores

Texto completo:

PDF (Português (Portugal))

Referencias


ALBashtawy, M. (2017). Breakfast Eating Habits Among Schoolchildren. Journal of Pediatric Nursing, vol. 36, p. 118-123.

Alves, J.G.B. (2003). Atividade física em crianças: promovendo a saúde do adulto. Revista Brasileira Saúde Materno Infantil, Recife, vol. 3, nº1. Acedido em julho, 26, em http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1519-38292003000100001

Amaral, A. & Melão, N. (2016). O perfil de saúde de crianças vigiadas em consultas de cuidados primários na cidade de Viseu, Portugal. Revista Portuguesa de Saúde Pública, vol. 34, n.1, p. 53-60. Disponível em http://www.scielo.mec.pt/pdf/rpsp/v34n1/v34n1a08.pdf

Associação Portuguesa de Nutricionistas (2013). Alimentação em idade escolar: Guia prático para educadores. Acedido em julho, 20, em http://www.apn.org.pt/documentos/guias/GuiaAPN_AlimentacaoIadeEscolar.pdf

Baptista, M.I.M. (2006). Educação Alimentar em meio escolar: referencial para uma oferta alimentar saudável. Ministério da Educação. Acedido em julho, 31, em http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Esaude/educacao_alimentar_em_meio_escolar.pdf

Camozzi, A.B.Q., Monego, E.T., Menezes, I.H.C.F. & Silva, P.O. (2015). Promoção da Alimentação Saudável na Escola: realidade ou utopia?. Cadernos Saúde Coletiva, 23, 32-37. Acedido em julho, 31, em http://www.scielo.br/pdf/cadsc/v23n1/1414-462X cadsc-23-01-00032.pdf

Coelho, S. (2012). A Importância do Sono na Aprendizagem Escolar – estudo com alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Dissertação de Mestrado, Instituto de Educação, Universidade do Minho, Braga, Portugal

Cordeiro, N.O. (2013). Hábitos de Vida Saudáveis e Atividade Física em contexto de Educação Préescolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Dissertação de Mestrado, Universidade dos Açores, Portugal. Acedido em julho, 20, em https://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/2314/1/DissertMestradoNeliaOliveiraCordeiro2013.pdf

Esteves, J.F. (2017). Coração e Exercício em Crianças e Jovens Adolescentes. Revista Factores de Risco, 44, abril/junho, pp. 21-24

Frota, M.A. et. al (2009). Má alimentação: fator que influencia na aprendizagem de crianças de uma escola pública. Revista de APS, 3, 278-284. Acedido em julho, 20, em https://aps.ufjf.emnuvens.com.br/aps/article/view/143/226

Gonçalves, J., et. al. (2012). Comportamento Alimentar na Escola: Estudo com Crianças e Adolescentes dos 10 aos 15 Anos. In Carvalho, G., Pereira, B., Silva, A. (2012). Atividade Física, Saúde e Lazer – O Valor formativo do jogo e da brincadeira. (pp.241-253). Minho: Instituto de Estudos da Criança

Jonovesi (2004). Evolução no nível de atividade física de escolares observados pelo período de 1 ano. Acedido em junho, 24, em https://www.researchgate.net/profile/Mario_Bracco/publication/242127159_Evoluo_no_nvel_de_atividade_fsica_de_escolares_observados_pelo_perodo_de_1_ano_Evolution_in_the_physical_activity_level_of_schoolchildren_observed_during_1_year/links/00b7d520bb276c792000000.pdf

Lazzoli et. al. (1998). Atividade física e saúde na infância e adolescência. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 4, 107-109. Acedido em julho, 9, em http://www.scielo.br/pdf/rbme/v4n4/a02v4n4.pdf

Lopes, L., Santos, R., Lopes, V. & Pereira, B. (2012). A importância do recreio escolar na atividade física das crianças. In I. Condessa, B. Pereira, & G. Carvalho (Coord.). Atividade Física, Saúde e Lazer. Educar e Formar. pp. 65-79, Braga: Centro de Investigação em Estudos da Criança, Instituto de Educação, Universidade do Minho. (ISBN: 978-972-8952-22-8). Disponível em http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/23307/1/Lops%2c%20L.%2c%20Santos%2c%20R.%2c%20Lopes%2c%20V.%0%26%20Pereira%2c%20B.pdf

Loureiro, I. (2004). A Importância da educação alimentar: o papel das escolas promotoras de saúde, vol. 22, n.º 2, 43-55. Acedido em julho, 20, em https://run.unl.pt/bitstream/10362/16986/1/RUN%20-%20RPSP%20-%202004%20-%20v22n2a04%20-%20p.43-55.pdf

Nunes, E. & Breda, J. (2003). Manual para uma alimentação saudável em jardins de infância. Ministério da Saúde: Direção Geral da Saúde. Acedido em agosto, 10, em https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/manual-para-uma-alimentacao-saudavel-emjardins-de-infancia-pdf.aspx

Oliveira, A.S.; Silva, V.A.P.; Alves, J.J.; Fagundes, D.; Pires, I.S.C.; Miranda, L.S. (2012). Hábitos ali-mentares de pré-escolares: A inflência das mães e da amamentação. Alim. Nutr., vol. 23, n. 3, p. 377-386. Disponível em file:///C:/Users/Utilizador/Downloads/1693-10375-1-PB%20(1).pdf

Pereira, V., Condessa, I. & Pereira, B. (2013). Contributo dos Jogos realizados no Recreio do 1.º Ciclo para o desenvolvimento Motor da Criança. In. M.Carvalhal, E.Coelho, J.Barreiros, O.Vasconcelos. (Org.). Estudos em Desenvolvimento Motor da Criança VI. (pp. 189-195). Trásos-Montes e Alto Douro: UTAD. Acedido em julho, 6, em http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/26016/1/Cap%C3%ADtulo%20de%20livro%20UTAD_UM.pdf

Rossi, A., Moreira, E.A.M. & Rauen, M.S. (2008). Determinantes do comportamento alimentar: uma revisão com enfoque na família. Revista de Nutrição, vol. 21, n.º 6, 739-748. Acedido em setembro, 24, em http://www.scielo.br/pdf/rn/v21n6/a12v21n6.pdf

Silva, A. (2012). Atividade física, Saúde e Lazer- O Valor formativo do jogo e da brincadeira. (pp.255-263). Minho: Instituto de Estudos da Criança.

Viana, V.; Candeias, L; Rego, C. & Silva, D. (2009).Comportamento alimentar em crianças e controlo parental: Uma revisão da bibliografia. Revista Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação, vol. 15, n. 1, p. 9-16. Disponível em http://www.itau.pt/pdfs/alimentacao/comp-alimentar-2009.pdf




DOI: https://doi.org/10.17060/ijodaep.2019.n2.v1.1689 Statistics: Resumen : 60 views. PDF (Português (Portugal)) : 25 views.  

Enlaces refback

  • No hay ningún enlace refback.




Copyright (c) 2019 Cátia Sofia Cardoso, Isabel Cabrita Condessa, Zélia Caçador Anastácio

Licencia de Creative Commons
Este obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-SinObraDerivada 4.0 Internacional.

"International Journal of Developmental and Educational Psychology."

Revista Infad de Psicología.

ISSN digital: 2603-5987

ISSN impreso: 0214-9877